The 101 - 06 - Chios
Chios é o mais especial de todos os Operatives, pois representa não uma pessoa, mas várias, espalhadas pelo mundo. Quando o 101 necessita de contactar algum agente, toda a informação sobre a missão é enviada para o Operative com as caracteristícas de Chios mais perto do local da missão, de modo a facilitar todo o processo de logística e selecção de agentes. Por isso, quando os Operatives são contactados, a voz do outro lado raramente é a mesma. Chios pode ser o empregado da Microsoft a trabalhar em horas extraordinárias, o hacker que acabou de entrar nos arquivos do FBI, ou qualquer outro aspecto interessante. Se a Missão for importante o suficiente, Chios até pode ser mais que uma pessoa!
O papel de Chios em jogo assume três facetas que se completam, apesar de distintas, porque há três níveis que devem ser considerados, e que são o nível do jogador, do Operative, e do Mundo.
Ao nível do jogador, as funções de Chios são fáceis. Ele deve ajudar o jogador na compreensão das regras, e garantir que cada intervenção do jogador está dentro dos Mission Parameters estabelecidos, ou, se não estiver, que garanta uma linha para uma outra missão. Isto é particularmente verdade para quando o jogador escolhe entrar no Cool State, onde tem particular poder sobre a história. Ele deve também garantir que o jogo tem poucos, ou de preferência nenhuns, tempos mortos, constantemente atirando dilemas e desafios aos jogadores, seja na forma de puzzles na história, seja usando os Millstones dos Operatives, seja lançando uma cena de acção quando tudo o resto parecer falhar. 100 Mooks armados são sempre uma boa forma para levantar os espíritos. Principalmente se não houver nenhuma pista sobre a sua origem.
Ao nível do Operative, as funções de Chios mudam ligeiramente. Agora ele deve ser mais personagem e menos director, falando com um tom de voz distinto, adoptando um head-set para passar a ideia que está ao telefone ao mesmo tempo que opera um, ou mais!, computador, ou qualquer outro aspecto que ache interessante e dentro do tema do jogo. A ideia aqui é fazer passar a imagem de alguém distante, mas que pode ao mesmo tempo estar permanentemente em contacto com os Operatives, enviando-lhes informações sobre a Missão, possíveis Adversaries, etc. Sempre que possível, Chios deve confrontar os Operatives com dilemas que façam disparar os seus Millstones, e integrá-los na Missão. Deve também, sempre que possível, fazer passar dilemas morais para colocar aos Operatives.
Afinal de contas, eles lutam diariamente para esconder do público coisas que fariam o leite coalhar, e este é um trabalho que não deve nunca ser fácil. A opção entre fazer cumprir a Missão e entregar a um jornal os resultados da mesma deve estar sempre presente. Outro aspecto que pode ser considerado no jogo é o da natureza solitária dos Operatives. Como é que eles se dão a trabalhar com outros Operatives, tão Cool quanto eles? Trabalham bem, mal? Tornam-se amigos, ou são mortos pela escolha errada? Este tipo de dilemas deve também estar presente em jogo. O jogo pode ainda ter uma camada de paranóia. Qualquer jogo fica bem com uma camada de paranóia. Só porque não se consegue vê-los, não significa que não andem atrás de nós.
E finalmente a nível do Mundo, as funções de Chios são radicalmente diferentes. Aqui Chios é os olhos e ouvidos dos Operatives, é a pessoa na rua que lhes dá direcções quando estão perdidos, é o esquadrão da morte que se lhes opõe, é o Adversary que faz gelar o sangue. Mas não só, esta é apenas a parte aparente do trabalho. Chios deve também definir uma linha temporal de acções para os planos do Adversary, empresa ou tema geral da Missão, e planear o que aconteceria se não houvesse intervenção dos Operatives. Esta é a melhor maneira de planear uma Missão, uma vez que os jogadores vão ter poder suficiente para dar cabo de qualquer plano bem delineado. Chios deve também ter um bom conhecimento da História Secreta do Mundo, que pode ser apanhado em qualquer tablóide ou site dedicado ao tema, para poder apresentar Missões interessantes aos seus jogadores. Há vários sites de interesse que podem ser utilizados para este objectivo, e os seus conteúdos variam desde a mais pura Teoria de Conspiração (por exemplo, o que realmente aconteceu no 11 de Setembro?), até a eventos estranhos na História que nunca foram explicados, ou sobre os quais ainda há dúvidas e crescem lendas ao lado da História (por exemplo, existiu mesmo um Santo Graal?), até ao quotidiano bizarro que adorna as páginas dos jornais nas bancas (por exemplo, porque é que existem tantas histórias sobre a morte de Elvis?). Não é necessário que todas estas histórias estejam ligadas entre si, mas certamente se estiverem, isso não será por acaso. Um dos presidentes americanos mais paranóicos de sempre, Franklin Roosevelt, disse sabiamente: nada acontece por acaso; se assim parece, é porque foi feito para acontecer.
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