Exemplo de uma Sessão
Este é o inicial example of play:
Mário, Vera, Rui e André estão a meio de uma sessão de jogo. Mário é o mestre-jogo e descreve o que se passa, enquanto cada um dos seus amigos interpreta a sua personagem: Vera é Amélia Correia, Rui é Àlvaro Magalhães e André é Guilherme Cavaleiro.
Mário: A esta hora, a rua está já deserta. Ainda não parou de chover e só quem quer se meter em sarilhos passeia por Lisboa à noite.
Vera: Eu paro o carro uns quarteirões antes do ponto de encontro.
André: Eu abro o envelope com as fotografias.
Mário: Tentas ver como ficaram. Há pouca luz.
Rui (como Àlvaro): "Ali. Debaixo do lampião."
Vera: Eu estaciono e olho em volta. "Já está na hora?"
André (como Guilherme): "Quero só ver como elas estão."
Mário: Em algumas fotos, a identificação é possível. Nas que não estão desfocadas, vê-se perfeitamente D. Fausto no seu jardim com as crianças.
Amélia: "O homem é nojento." (Vera abana a cabeça)
Guilherme: "Todos têem o seu ponto fraco." (André sorri e pisca o olho)
Àlvaro: "Pelo menos, é mais um factor que temos sob controlo. Agora, a mim, companheiros. Desejem-me sorte." - eu fecho a gabardine e saio do carro.
Guilherme: "Não te perdemos de vista." - eu guardo comigo o envelope.
Mário: Portanto, já decidiram o que vão fazer?
Vera: Já. O Àlvaro vai ter com o contacto da secreta francesa para lhes entregar a relíquia. Diz-lhes que a espada está aqui na mala do carro.
Rui: Vocês seguem a situação à distãncia e tentam, no momento certo, apanhar o contacto, e mais quaisquer outros que estejam com ele, para que possamos saber onde está a minha filha e salvá-la antes do final da noite.
André: Sem termos que ceder a espada.
Vera: Certo.
Mário: Através da chuva, vocês vêem o Àlvaro a afastar-se. Dão-lhe algum tempo, antes de o seguirem à distãncia.
Vera: De acordo com o que o nosso ex-comando aconselhou, vamos por uma rua paralela e tentamos chegar escondidos ao ponto de encontro antes dele, estando atentos a gente com a mesma ideia que nós.
Mário: Façam um teste para não serem vistos e para perceberem se há mais alguém.
Vera e André: (tiram cartas)
Mário: Vocês esgueiram-se através das ruas desertas, aproveitando as sombras das calçadas estreitas. Á distãncia, distinguem, por momentos, uma ínfima luz. Alguém a acender um cigarro. Pela posição, estará numa esquina com vista para a praceta.
Guilherme: "Pode ser e pode não ser."
Amélia: "Não podemos arriscar. De qualquer forma, se for dos franceses, é maçarico, podemos apanhá-lo já."
Guilherme: "Se ele faz barulho, a situação descontrola-se."
Amélia: "Usa isto, então." - eu passo-lhe o meu garrote - "Eu vou pela frente para lhe dizer olá."
Guilherme: "Sim, não podemos perder tempo. O Àlvaro deve estar a chegar lá." - eu rapidamente procuro um caminho à volta.
Vera: Eu vou mais devagar para lhe dar tempo.
Mário: Entretanto, Àlvaro, segues pela rua principal até à praceta. Não vês ninguém, mas os teus instintos sentem a tensão no ar. Quando fazes a curva, vês um carro parado e uma figura de pé ao lado dele.
Rui: Eu deixo-me ver, mas pouco mais me aproximo da praceta. Não gosto desse carro, pode ter mais alguém.
Mário: A figura, de chapéu e gabardine, parece já te ter visto. Olha para o relógio. Olha em volta. Há uma espécie de impasse.
Rui: Aproximo-me da luz de um lampião, mas mantenho a distãncia. Quero mostrar que estou sozinho, mas não sou estúpido.
Mário: A figura caminha lentamente na tua direcção. Começas a distinguir um homem, um rapaz dos seus pouco mais que vinte, bem vestido e com um porte confiante. Ele aproxima-se.
Àlvaro: "Ça va?" - não me mexo.
Mário (interpretando o homem): "C'est toi Magalhães?"
Àlvaro: "Sim, não se nota? A minha filha saiu ao pai."
Homem: "Perdão? Saiu?" (sotaque afrancesado)
Àlvaro: "Quero dizer que é parecida comigo."
Homem: "Ah, oui, pardon. Ela já está aqui em Lisboa, ela está bem. Melhor vai ficar se tivermos uma conclusão satisfatória da sua colaboração connosco, monsieur."
Àlvaro: "Assim espero."
André: É isso mesmo, Rui. Precisamos de tempo para controlar a situação. Já cheguei ao nosso fumador?
Mário: Faz um teste para ele não te detectar. É relativamente fácil, ele está atento ao que se passa na praceta.
André: (tira cartas)
Mário: Amélia, tu vês uma cabeça a espreitar da esquina, olhando para o ponto de encontro. Podes supõr que o Àlvaro já chegou lá.
Vera: Começou o espetáculo. Caminho na direcção dele, contando que o Guilherme já teve tempo para lhe chegar pelo outro lado.
Mário: Ele deita o cigarro ao chão e apaga-o com o pé. Não parece ter-se apercebido de ti, Guilherme.
André: Vou mais encostado à parede e estico o garrote.
Mário: Já estás bastante próximo. Na escuridão, distingues, que ele tira qualquer coisa do bolso. Ele verifica um pequeno revólver e volta a guardá-la. Parece nervoso.
André: Bom, ele até pode ser um pide, mas era grande coincidência. Não podemos arriscar.
Mário: Ele levanta a cabeça e repara em ti, Amélia.
Amélia: (sorri) "Monsieur, pardon? Est-ce que vous peux me aider? Je suis perdu."
André: Eu levanto o garrote. Se ele responde em francês, é para mim o suficiente.
Mário: Nervoso, ele dá um passo atrás e começa a dizer "Qui est vous?" A mão dele vai ao bolso.
André: Enlaço-lhe o pescoço, espeto-lhe um joelho nos rins e esgano-o.
Mário: Vamos a ver. Faz um teste de combate.
André: (tira cartas) Crítico!
Mário: Amélia, tu vês o homem a desaparecer na escuridão atrás dele com pouco mais que um gemido. Guilherme, tu tem-lo em desiquilíbrio e a perder ar. Podes optar por pô-lo inconsciente em vez de o matar.
Rui: Boa!
André: Óptimo, se bem que duvido que ele consiga falar depois disto. Desço-o até ao chão sem fazer barulho. Depois podemos interrogá-lo.
Mário: Entretanto, na praceta, o homem pergunta-te pela relíquia, Àlvaro.
Àlvaro: "Isto não é uma troca justa. Onde está a minha filha?"
Homem: "Quando eu voltar com a espada, ela será libertada."
Àlvaro: "Já suspeitava." (Rui abana a cabeça) "Bom, não ando a passear com uma coisa daquelas pela rua. Está na mala do carro. Venha comigo." - eu começo a andar.
Mário: Há uns momentos hesitantes antes de tu ouvires passos seguindo-te. Amélia e Guilherme, quando vocês finalmente olham para o que se passa na praceta, vêem o Àlvaro a voltar para o carro seguido por um homem. (faz um teste por eles, tira cartas sem mostrar) Não vêem mais ninguém.
Vera: Nós voltamos rapidamente para trás. "Isto está a correr bem."
Guilherme: "Sim, parece que eles confiam no Àlvaro."
Mário: O homem caminha agora ao teu lado e parece estar a ficar impaciente. "O antigo dono não deu problemas?"
Àlvaro: "Foi convencido a ceder-nos a relíquia para sua protecção e no seu melhor interesse."
Homem: "E os teus colegas?"
Àlvaro: "Eles também têem muitos esqueletos no armário, não me podem impedir de salvar a minha filha."
Homem: "Eles matam assim tanta gente?"
Vera e André: (risos)
Àlvaro: (sorri) "Quero dizer que têem muitos segredos escondidos, coisas que também podiam acabar com eles se se soubessem."
Homem: "Ah, oui."
Mário: (faz um teste pelo Rui, tira cartas sem mostrar) Subitamente, Àlvaro, os teus instintos de combate disparam, mesmo quando vocês estão a chegar à esquina antes de se ver o carro. Há movimento e sentes-te observado. Perigo iminente.
Rui: Raios, estamos mesmo em campo aberto. Atiro-me para o chão.
Mário: Todos vocês ouvem um tiro seco.
André: Corremos para lá! (Vera faz que sim com a cabeça)
Mário: Àlvaro, um bala atinge no peito o homem ao teu lado. Tu rebolas para lá da esquina. O vosso carro tem a mala aberta. Uma figura está a fugir com a caixa da espada atada às costas.
Rui: Saco do revólver - isto vai acordar a vizinhança - procuro abrigo onde me encostar e disparar para esse ladrão! Tento ver onde está o atirador que apanhou o francês.
Mário: Amélia, Guilherme, quando vocês viram a esquina a correr, vêem esta cena - a mala do carro a ser roubada - e (faz um teste pelo André) o Guilherme reconhece a figura a fugir: a tua querida do KGB.
André: Cabra! Eu corro atrás dela.
Vera: Tento encontrar o Àlvaro e quem possa ter disparado.
Mário: Antes que possam reagir, mais um tiro vem, desta vez, na vossa direcção e acerta na esquina falhando-vos por centímetros. Àlvaro, na rua estreita para onde ela está a fugir, há um atirador bem colocado atrás de um caixote do lixo, sobre o qual suporta a espingarda.
Àlvaro: Disparo para ela. (faz um teste de combate, tira cartas)
Mário: A distãncia é grande. Ouves um som oco e ela cambaleia para a frente. Acertaste na caixa.
André: Corro em diagonal, tentando sair de onde o atirador me veja. Mesmo assim, procuro chegar até ela.
Vera: Eu seguro-o (aponta para o André) e tento levá-o até ao chão.
Amélia: "Não sejas doido. Porque é que corres para ela? Dispara!"
Mário: Ela rapidamente entra na rua e deixam de a ver. Vocês ouvem vozes e passos que parecem indicar uma terceira pessoa a ajudá-la.
Rui: Eu tento ver mais alguma coisa. Identificar uma cara.
Mário: Vês por momentos o atirador antes de eles se afastarem.
Rui: Ponho-me de pé. "Vocês estão bem?"
Guilherme: "Não! Mas eu sei onde podemos encontrar aquela cabra."
Àlvaro: "Óptimo, mas agora é urgente encontrarmos a minha filha. Vamos ter que revistar o coitado do francês."
Amélia: "Nós apanhamos outro. Vivo."
Àlvaro: "Ainda há esperança, então."
Guilherme: "E a espada? Que é que andamos aqui a fazer?"
Amélia: "Não se preocupem. Venham aqui." - eu caminho até ao carro e mostro-lhes, Mário.
Mário: Vocês vêem a Amélia a tirar uma manta da mala e a revelar um fundo secreto. Nele encontram a espada, igual à primeira vez que a viram na casa de D. Fausto.
Guilherme: "O que é isto?"
Amélia: "Quando eu soube desta história toda, eu sabia que tinha que ficar com a espada. Irei provar aos nazis que todo o interesse de Hitler pelo ocultismo é uma farsa. Ele está a ser enganado por supostos feiticeiros, uma corja de vigaristas."
Àlvaro: "E a caixa?"
Amélia: "Consegui uma réplica da espada e troquei-as quando a estava a guardar na mala. O KGB roubou uma falsificação."
Guilherme: (suspira) "Tu és doida."
Amélia: "E tu precisas de escolher melhor as tuas companhias."
Àlvaro: "Já chega! Preocupamo-nos com isto depois. Vamos descobrir onde está a minha filha. Levem-me até ao francês que apanharam." (estala os dedos) "Acabamos a missão esta noite."
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