Habitantes
Tribos Vermilion
Aparentemente a extensão desolada de Farside não parece ser um meio suficientemente propício ao desenvolvimento da vida humana tal como a conhecemos. As abruptas irregularidades das suas dunas inconstantes e desfiladeiros inesperados, o calor insuportável e o solo desprovido de fertilidade e bonança, os poucos predadores naturalmente desperados que se consomem em agonia e fúria, no fundo todos estes elementos contribuem definitivamente para a singularidade do povo que habita grande parte desta região. Este grupo populacional dominante é um conjunto incoerente de várias tribos de caçadores-recolectores que devido às suas semelhanças culturais e místicas são chamados de Tribos Vermilion pelos Tultek, os habitantes das Pylons, apesar do nome ancestral deste povo nómada ser efectivemente os Kimeca.
Ao longe, através da distorção visual proporcionada pelo sol abrasador do deserto, o primeira impressão que as Tribos Vermilion dão a quem se cruza no seu caminho é o do aproximar de um arrebentamento de ondas de um vermelho sangue que se dispersam conscientemente por toda a extensão da paisagem. Se por si esta imagem, figurada vividamente na mente do observador e decorada histéricamente pelos relatos da brutalidade e selvageria do seu modo de vida, não é suficiente para repelir o viajante menos seguro do seu caminho, provavelmente a visão dos corpos semi-despedidos pintados de um vermelho vivo o é claramente.
Homens, mulheres e crianças cobrem o seu corpo não só com peles de animais e outras peças de vestuário mas também recorrendo a um unguento de côr vermelha que aplicado na pele em grandes manchas decora parte siginificativa dos seus corpos. Essa decoração segue uma tradição meticulosamente honrada em cada Tribo Vermilion apesar de conter pequenas variações entre estas. A origem do unguento vermelho é um segredo perpetuado pelos Zealots cuja verdadeira proveniência resguardam de todos ao considerarem-na parte integrante e fundamental da ciência de Siphon e dos mistérios dos Primals.
As principais semelhanças residem no modo como os sexos são diferenciados consoante as partes do corpo pintadas: os homens pintam a totalidade da cabeça incluindo os cabelos e parte do seu tronco, do fim do pescoço à parte inferior do torax; as mulheres pintam a totalidade dos membros inferiores até à sua zona pélvica; as crianças mantém a sua pele desprovida de côr até a maioridade onde além de lhes ser atribuído o nome de adulto pelos seus pais será o Guardião da tribo a aplicá-la sobre a pele. Uma vez aplicada, a côr vermelha nunca sairá dos corpos dos Vermilion.
Os povos das Pylons, os Tultek e o seus Devisers, costumam usar o nome "vermilion" para descrever alguém que está acossado de fúria selvagem ou de uma brutalidade calculista, realçando a vermelhidão que a sua pele toma quando pratica tais actos. Em alguns círculos sociais dos Tultek, "vermilion" adquire assim um tom perjorativo, especialmente se usado na expressão "cão vermilion". Contudo a maioria dos habitantes das Pylon ainda consideram os costumes dos Vermilion, que levam a uma dura existência no deserto, como honrosos e respeitáveis.
Apesar de não ser claro para um observador estranho à tribo a razão de tal tradição é uma de homenagem e devoção à autoridade e justeza do poder alcançado pelos Zealots. Para que o Zealot possa usar o poder do Vim, a substância tecnorgânica que lhes permite usar Siphon, a ciência de alterar as partes do corpo, transformando-as e melhorando-as extraordinariamente de modo a fazer proezas sublimes, este terá que usar a vitalidade do seu sangue para sustentar a sua utilização. Aquando da primeira vez que um Zealot usa Vim, não habituado as suas exigências este entra facilmente em Boil. Esta detoriação do Vim origina o descontrole total dessa tecnologia provocando uma falta desastrosa na biomecânica do seu corpo deste e fazendo com que um refluxo do sangue utilizado pelo Vim seja segregado pela sua pele. A partir deste momento a totalidade do seu corpo adquire uma vermelhidão escura que o diferencia da restante tribo. Não se sabe quando a prática de pintura dos corpos dos Kimeca começou realmente, se quando os habitantes das Pylons providenciaram o seu conhecimento sobre Vim e Siphon ou se foi quando a primeira Tribo Vermilion encontrou um das Hollows e a sua respectiva Swallow, mas definitivamente esta terá tido lugar quando a tribo presenciou pela primeira vez um Boil do seu primeiro Zealot.
O que os restantes membros da tribo desconhecem é que o unguento que usam para pintar os corpos são efectivamente produzido através da maceração de pequenos vermes parasitas, um dos seres vivos predominantes no deserto, que em contacto com o sangue transformado pelo Vim crescem exponencialmente e têm de ser retirados. A sua côr avermelhada adquirida devido ao Vim é assim usada para não só pelo sua praticabilidade como também devido ao seu significado acrescido de ter tido um contacto íntimo com o corpo daqueles que têm o poder de defender a tribo, os Zealots.
Os Vermilion subsistem principalmente da caça dos poucos animais do deserto e das planícies e pequenas montanhas que os rodeiam. A maioria das tribos customam também colher raízes e bagas da pouca vegetação que existe nessas zonas inóspitas. Algumas tribos começaram também a estabelecer-se sasonalmente em algumas zonas de depressão colhendo os frutos de alguma uso experimental de uma agricultura que conseguiram descobrir ao longo dos anos.
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