Introdução
Este é um texto introdutório para o jogo, aquele que normalmente aparece nas primeiras páginas do livro antes de se começar sequer a falar em mecânicas e settings.
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Abro os olhos.
E uma explosão de informação invadiu-me os sentidos.
Volto a fechá-los.
Focar, concentrar, estabilizar a essência espiritual.
Volto a abrir.
Abro os olhos.
Uma esfera amarela contra um fundo preto.
Ver mais perto.
Estou a pairar sobre uma cordilheira, por debaixo de mim picos desafiantes e vales profundos rasgam o colosso rochoso que se estende por quilómetros.
Mergulho sobre eles.
Navego por entre os seus canais, observo as criaturas que habitam as suas profundezas e os magníficos tesouros que guardam. Umas, mais destemidas, revoltaram-se contra as limitações que lhes foram impostas pela natureza e lançaram-se sobre o vazio dos ventos. Sustentando-se em enormes asas que crescem dos seus braços dominam os céus como deuses e lançam-se para o infinito do deserto que se estende para além das fronteiras da cordilheira. Procuram de meios de subsistências os seus pares... e algo mais.
Prossigo para Norte vendo a impiedosa massa de areia a castigar os incautos e os que não lhe prestam a devida reverência, lançando-lhes monstruosidades das suas profundezas, abrindo buracos debaixo dos seus pés e engolindo caravanas inteiras de tribos nómadas.
Submirjo pela sua pele dourada, algo chama por mim aqui debaixo, um desejo, uma necessidade, algo intenso.
Por momentos fico paralisado, reinos e nações inteiras estendem-se à minha frente, escondidas por este manto de areia.
Banho-me no seu conhecimento e no poder que encerram, perco-me na sua imensidão e riqueza. Caminho no seu seio perdendo toda e qualquer noção de tempo até chegar a uma sala, oiço ruídos do outro lado das paredes.
Um estrondo violento ocupa a sala por breves segundos seguido de homens empunhado estranhas ferramentas.
Eles vasculham e mexem em tudo, movidos por um equilíbrio ténue entre a ganância e a curiosidade. Muitos encontram o seu fim neste local, atrevendo-se a mexer com conhecimento sobre o qual não têm qualquer capacidade de compreender ou dominar.
De entre este homens uma mulher destaca-se, envergando uma veste de tecido grosso e carregando o peso do tempo no seu rosto: Esta entra na câmara, senta-se no chão e medita. Durante dias perde-se nos confins da sua própria mente, abrindo fontes de conhecimento dentro de si mesma. Quando sai do transe olha de novo à volta da câmara, mas desta vez os seus olhos brilham com sabedoria... porque será que parece que ela me consegue ver?
Levanta-se e dirige-se a várias consolas, activando mecanismos que o tempo há muito havia esquecido. A mulher volta para o exterior e faz um grande discurso ao resto da sua tribo que a espera ansiosamente.
Observei pacientemente enquanto esta pequena tribo começou a dar os primeiros passos numa nova direcção, usando o pouco que haviam conseguido decifrar da tecnologia perdida para crescerem como uma nova e estável comunidade.
Eu estava lá quando descobriram que podiam plantar os seus alimentos em vez de os caçar. Eu estava lá quando descobriram que podiam curar as suas feridas e doenças em vez de simplesmente enviar os doentes e feridos para a morte no impiedoso Deserto. Eu estava lá quando outras tribos nómadas convergiram para o local, atraídas pelos rumores das descobertas e despoletando uma guerra sangrenta contra os vários adversários. No no fim apenas um cemitério a céu aberto residia no local da contenda.
Perdeu-se tudo mas vou continuar a minha viagem.
A história repete-se por todo o planeta. Algumas tribos sobrevivem ao impacto inicial gerado pela descoberta dos artefactos reencontrados mas outras não pois criam cidades e nações em honra à glória das suas descobertas. Ainda outras simplesmente pilham o que podem para poderem vendê-las noutras cidades mantendo-se assim fieis aos seus princípios nómadas.
Guerras irrompem pelo Deserto entre tribos tecnológicas e não-tecnológicas, entre tribos nómadas pelo domínio sobre uma manada migratória, ou entre cidades e nações pelo controlo de mais ínfima fonte de artefactos.
Algumas brilham apenas como clarões no horizonte enquanto outras são guerras santas, mantendo chama viva do ódio deflagrado desde há séculos atrás.
Estou agora a sobrevoar a cidade mais a Norte deste planeta, uma gigantesca mancha cinzenta com edifícios enormes a brotar da areia e a recortar a linha do horizonte. Contudo esta civilização ainda paga penosamente pela sua ganância. De novo um Vento Vermelho desce das montanhas para cobrir os céus e com ele calcorreia outro surto de doenças de mãos dados com um ataque dos povos das montanhas.
Estou farto desta devastação e guerra constante.
Procuro algo novo. O que mais é que estes seres trouxeram para o mundo?
Uma grande e colorida caravana trilha as areias eternamente, levando consigo tendas carregadas com criaturas exóticas capazes dos feitos mais extraordinários que se possa pensar, objectos e alimentos nunca antes vistos que fazem a delícia de quem os experimenta.
Estou fascinado, acho que vou seguir estas gentes durante algum tempo...
O que é isto?
Um homem perdido no deserto... Não, não está perdido, apenas sozinho e rejeitado. Sigo as suas pegadas para ver de onde veio.
Oiço os sons de luta atrás de uma colina. Não, outra não! Vou-me embora... não... passa-se algo de diferente... Algo mais!
Passo a colina, e observo dezenas de seres. Homens-lagarto montados em veículos de propulsão lançam-se loucamente sobre uma caravana nómada. No meio está apenas um homem imóvel e apesar da sua convicção vacilar ele encerra em si um poder incrível que se utilizado pode pôr em perigo todos aqueles que jurou proteger.
Eu consigo sentir o poder a pulsar dentro dele, a crescer cada vez mais, incontrolável!
Sinto esse poder a ressoar dentro de mim, a chamar-me, a tornar-se uma parte de mim.
Ele tomou a sua decisão, vai libertar tudo...
Uma onda de calor e luz solta-se e consome tudo à sua volta.
Ela envolve-me, sinto-me vivo, poderoso, rejuvenescido. Pela primeira vez desde que sei que existo sinto-me... livre.
Delicio-me e perco-me neste mar de sensações...
Fecho os olhos...
Quem sou eu?
Que mundo é este para o qual acordei?
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